Quiz Santos Dumont

Santos Dumont em Paris

1891

Quando Santos Dumont completa 18 anos, a família vive uma crise: seu pai sofre um grave acidente e fica hemiplégico. Em busca de tratamento, a família vai para Paris. Uma vez na França, o jovem Santos Dumont se apaixonou. Manteria esta paixão para sempre, a ponto de declarar: “Paris, como se diz, é o lugar para onde emigra a alma dos bons americanos, quando morrem.”

Mas seu maior impacto acontece no contato com as máquinas modernas, com a eletricidade - e com os balões. Em 1888, numa exposição em São Paulo, ele havia presenciado um voo em balão: um aeronauta subira aos céus e, depois, pulara de paraquedas. Em Paris, queria experimentá-lo pessoalmente, mas o preço proibitivo e o temor dos acidentes adiam a experiência. Mas a cidade o compensa com outra experiência inesquecível: o contato com o automóvel. O deslumbramento técnico com o veículo é tamanho que, ao voltar, no mesmo ano, ele traz no navio um Pegeout de estrada, de 3,5 cavalos de força.

Logo, porém, o Dr. Henrique Dumont começa a piorar. A família volta a Paris – mas a morte do patriarca está próxima. Para garantir o futuro de todos, ele vende a fazenda e divide dois terços do valor apurado entre os filhos; em seguida, emancipa Santos Dumont, que decide permanecer na Cidade-Luz. Corria o ano de 1892 - e, juntamente com a herança, o Dr. Henrique lega ao filho uma carta onde transparece todo o seu carinho de pai e o desejo de que Santos Dumont amadureça e encontre seu lugar no mundo, aproveitando seu gênio inventivo:

“Vai para Paris, o lugar mais perigoso para um rapaz. Vamos ver se faz homem; prefiro que não se faça doutor; em Paris, com o auxílio de nossos primos, você procurará um especialista em Física, Química, Mecânica, Eletricidade, etc.; estude estas matérias e não se esqueça de que o futuro do mundo está na mecânica. Você não precisa pensar em ganhar a vida; eu lhe deixarei o necessário para viver”.

Uma vez residindo em Paris, Santos Dumont segue os conselhos do pai e contrata um professor particular, o Sr. Garcia, “respeitado preceptor de origem espanhola, que sabia tudo.” Assim, de 1892 a 1897, estuda livremente, sem qualquer compromisso formal: como ouvinte, frequenta as aulas que lhe interessam nos cursos de Engenharia na Sorbonne e do Collége de France. Em 1893, com 21 anos, passa uma temporada na Inglaterra, também como aluno ouvinte das aulas de navegação no Merchant Venturers’ Technical College da cidade de Bristol, onde alguns primos eram estudantes regulares. A respeitável instituição, que daria origem à Universidade de Bristol, tinha forte reputação em Engenharia, especialmente na área de navegação.

Em 1897, faz rápida visita ao Brasil para ver os parentes – e logo, retorna à Paris.

 

 


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