As origens e família de Santos Dumont

O Demoiselle e outros inventos

Nesta época, Santos Dumont já é uma das personalidades mais conhecidas da alta roda parisiense. Frequenta ambientes luxuosos e é visitado em seu hangar por nobres como a Princesa Isabel, que vai com o filho conhecer os inventos do ilustre brasileiro, e a princesa Eugênia II, da XXXX.  Seu estilo apurado de vestir, o chapéu panamá e o terno risca de giz são imitados. Seus passos são acompanhados pela imprensa, que especula sobre suas relações amorosas. Porém, embora tenha estabelecido romances com diversas mulheres – entre elas, as norte-americanas Lurline Spreckels e Edna Powers, com a qual seu noivado chegou a ser anunciado pelo New York Journal, ele opta por se manter solteiro. E, aos mais íntimos, explica suas razões: se tivesse responsabilidades sobre uma esposa e filhos, seria desviado de seus objetivos.

Apoiado pelo sucesso do 14 Bis, Santos Dumont aperfeiçoou a proposta de seus aviões durante o ano de 1906, construindo cinco novos aparelhos. Sempre generoso, divulga seus estudos, franqueia plantas e não requisita as patentes de seus inventos, contribuindo decisivamente para que a indústria aeronáutica alcance progressos em tempo recorde. Logo, surgem novos pioneiros. Em 13 de janeiro de 1907, o francés Henri Farman consegue realizar o primeiro voo de 1 km em circuito fechado, resolvendo qualquer dúvida sobre a  capacidade de manobrar. Em 1908, a nova questão passa a ser: é possível voar a longas distâncias? Neste momento, os Wright ressurgem, com um aparelho muito diferente do de 1903 mas que, de fato, consegue voar grandes distâncias: no final de 1908, Wilbur Wright faz uma demonstração pública na França com seu Flyer III, e realiza um voo de 124 km. Meses depois, em 1909, o francês Louis Blériot comprova a importância militar dos aviões, ao atravessar o Canal da Mancha.  

Neste mesmo ano, Santos Dumont apresenta seu último invento aeronáutico: o nº 20, o famoso Demoiselle, o primeiro ultraleve do mundo. Com o aparelho de apenas 115 kg e 5,55 metros de comprimento, realiza longos voos. Mas o gênio inventivo estava esgotado, depois de anos de frenética criação, riscos assumidos, conflitos. Em 1910, Santos Dumont anuncia que deixará o campo de provas e passará a se dedicar à divulgação dos potenciais e do futuro da aviação. Ele divulga os planos do Demoiselle e vende seu prototipo para um jovem piloto que se tornaria um ás da Primeira Guerra Mundial: o francês Roland Garros.  

Santos Dumont também é o criador do motor de cilindros opostos, o primeiro a ser útil na aviação; da porta pantográfica, feita para fechar a porta de seu hangar, em Paris, economizando espaço e de vários outros inventos que não se tornaram populares, como uma máquina que auxiliava na ascensão dos esquiadores, montanha acima. Em uma conversa com seu amigo, o joalheiro e relojoeiro Louis Cartier, surgiu a proposta de criar o relógio de pulso masculino, para facilitar a medida do tempo de voo deixando as mãos livres, para o controle dos aparelhos de navegação. Até então, os poucos relógios-pulseira existentes eram joias femininas. O “Cartier Santos” transformou-se, assim, numa tendência de moda e em um acessório essencial, para homens e mulheres.

 



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